segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Gestão de carreiras

Carmem Migueles
Professora da Fundação Dom Cabral

Responda rapidamente: hoje, ao buscar um emprego, você procura conhecer bem a empresa para se adaptar plenamente à sua cultura, seus valores e sua rotina? Ou você se sente à vontade para oferecer a ela seu próprio estilo e perfil de atuação? Na primeira opção, você correria menos riscos, certo?
Porém, cresce no mercado um outro tipo de empresas que valorizam a diversidade de seus colaboradores. São organizações que estão descobrindo que gerenciar e valorizar as diferentes visões de mundo e valores de sua equipe pode trazer benefícios para todos.
Vale ressaltar que respeitar a diversidade é garantir que os indivíduos oriundos de diferentes grupos não sofram nenhum tipo de discriminação. Em outras palavras, valorizar a diversidade significa entender o modo como as semelhanças e diferenças entre as pessoas podem trazer benefícios para elas, seja na empresa ou na sociedade.
Em um mundo em constante transformação, marcado por mercados globais e cada vez mais competitivos, a gestão da diversidade torna-se indispensável. Se mobilizada corretamente, no universo empresarial, a diversidade de culturas e pessoas pode criar valor para a organização, gerando muitas outras vantagens competitivas e garantindo, até mesmo, melhores resultados econômicos.
Neste contexto, a participação direta dos profissionais nas organizações contribuirá de forma determinante para a geração do conhecimento dentro da empresa – desde que ela crie mecanismos para isso –, refinando suas estratégias de segmentação de mercado. Para compreender profundamente o que leva cada um a escolher o produto A ou B, a organização precisa olhar o ser humano como um indivíduo social e cultural que tem valores específicos, o que vai refletir no seu padrão de consumo.
Gerir a diversidade é, portanto, uma forma de gestão da inteligência competitiva em mercados nacionais e internacionais cada vez mais segmentados. É também um passo à frente em termos de gestão estratégica de recursos humanos, na medida em que permite que as organizações encarem seus colaboradores como fonte de informação e conhecimento relevantes.
Assim, na prática, tais profissionais não atuam apenas na produção, mas são também importante fonte de informação estratégica e de conhecimento de mercado. Cada um com seu perfil auxilia a empresa a descobrir o que o segmento de mercado do qual o colaborador é oriundo quer consumir. A partir daí, ela cria novas estratégias para atender essas demandas, gerando mais negócios e garantindo lucros crescentes.
Por outro lado, esse processo desafia as organizações a construírem mecanismos adequados para que seus profissionais possam desenvolver e inovar a partir da sua própria experiência. Por isso, é fundamental que a empresa invista no desenvolvimento e na capacitação de seus colaboradores, para que ela possa, então, aprimorar suas estratégias competitivas e superar seus concorrentes.
Todo esse processo ajuda a organização, em última instância, a sair do chamado “oceano vermelho” (onde a guerra por mercados e consumidores é sangrenta) e passar a navegar no desejável “oceano azul” (no qual os concorrentes não estão atuando). Se você, portanto, confia no seu talento, vá em frente e procure as empresas que também o valorizam. Afinal, todos podem sair lucrando.