sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Começar de novo - Revista Melhor - Gestão de Pessoas

Usiminas oferece programa que permite a inclusão social de ex-presidiários

"Vivia drogado e o meu envolvimento com o tráfico começou aos 14 anos. O bairro em que morava, Jardim Teresópolis [região metropolitana de Belo Horizonte], era 10 vezes mais perigoso do que a capital de São Paulo. Não acreditava mais na vida e, aos 17 anos, meu irmão foi morto por alguém envolvido no tráfico. Fui excluído totalmente da sociedade, não estudava nem trabalhava e passei a roubar para manter o vício. Depois minha irmã foi morta por pessoas que conhecia do tráfico e a encontrei no IML. Fui preso por sete anos e tratado como bicho".

O depoimento de Clelbert revela como é difícil a vida de uma pessoa que se envolve com drogas e possui ficha policial: é praticamente impossível conseguir um emprego depois de sair da cadeia, pois poucas empresas dão oportunidade. Mas com Clelbert foi diferente. Ele teve uma nova chance com o projeto APAC (Apoio de Proteção e Assistência ao Condenado) que tem o patrocínio da empresa Usiminas.

Na palestra Responsabilidade em prática: transformação do indivíduo, organização e sociedade, que contou ainda com a professora Betania Tanure, da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG); e os executivos Cledorvino Belini, da Fiat, e Marco Antonio S. da C. Castelo Branco, da Usiminas, Clelbert contou como superou seu problema e de que forma as empresas socialmente responsáveis contribuíram para a sua mudança de vida.

"Achava que não teria a oportunidade de viver uma vida digna. Mas comecei a participar das ações do APAC e de atividades ligadas à Associação dos Padres Maristas de Minas Gerais. Quis evoluir na vida e tive uma oportunidade. Hoje, sou casado, atuo como educador em uma instituição em Minas Gerais e faço faculdade de Direito", disse entusiasmado.

Segundo Branco, a mudança de cultura na área de recursos humanos na Usiminas, como a decisão de apoiar ações da APAC, contribuiu para que a empresa tivesse uma imagem ainda mais positiva na sociedade. "É um legado que você deixa para todos. Você satisfaz clientes, funcionários, fornecedores, parceiros e concessionários e, ainda, auxilia a comunidade que está no entorno. Temos, hoje, 16 funcionários que foram presidiários. Eles tiveram a oportunidade de fazer do erro um acerto na vida", completou o executivo.

Revista Melhor - Gestão de Pessoas

by Calebe De Luca Bueno – www.expansione.blogspot.com